Percepção vs. Intenção | Estúdio Vertá
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Percepção vs. Intenção

homem confuso olhando para um quadroVocê está num museu de arte passando por diversas obras. De repente percebe que uma delas é gigantesca, com 2 metros de altura. Além do tamanho, ela não tem nada de mais. É um fundo branco, cru, com um círculo preto bem no centro. Você fica parado fazendo cara de admiração, mas na verdade está se perguntando por quê deram tanto destaque para aquilo. De repente um homem pára ao seu lado, com óculos fundos, barba ruiva e andar leve: “o que achou?”.

Você olha para ele durante um tempo e responde: “…incrível”. Percebendo sua incerteza, ele fala com os olhos ainda voltados para a parede: “representa a solidão em meio ao vazio do mundo”. Você olha novamente para o quadro e enxerga tudo de um jeito diferente. O vazio toma conta do salão e você não ouve mais nada além da sua respiração. Você sente a angústia daquele quadro agora que sabe a intenção dele, através das palavras do próprio autor.

É comum nos depararmos com explicações intrigantes de obras de arte que, antes disso, não significavam absolutamente nada. Na verdade, essa é justamente a beleza da arte: a liberdade de cada um ter sua própria interpretação (ou a falta dela) sobre algo. Esse é justamente o ponto que a diferencia de qualquer outra construção humana.

Porém quando entramos no mundo das Marcas, a ótica deve ser diferente. O foco não está mais no sentimento do autor, mas sim no entendimento de quem a vê. Em outras palavras, se duas pessoas virem um logotipo, seus entendimentos sobre ele devem ser no mínimo semelhantes. Uma identidade visual, embalagem, fachada, ou cartão de visita, estão lá para representar uma marca e gerar uma imagem na cabeça das pessoas. Uma imagem. Não duas, nem três. Uma.

Quando falamos de marcas, coerência é a lei. A empresa deve ser coerente naquilo que é, faz e fala para então o mercado ter uma imagem coerente sobre ela.

Por isso, costumamos dizer aqui na Vertá, que a percepção é mais importante que a intenção. Quando você lançar sua embalagem, não vai haver ninguém pra explicar pro consumidor que “aquele traço em diagonal representa inovação”. Ele mesmo precisa sentir isso. Muitas vezes esse sentimento é inconsciente, ou seja, subliminar, mas ainda assim, existem testes e pesquisas que auxiliam nesse tipo decisão.

Quem já teve que aprovar um Logotipo, Embalagem ou qualquer outro tipo de criação, já passou pela experiência da “defesa do designer”. Esse processo é basicamente o autor defendendo sua obra, com argumentos de todas as suas intenções naquela arte. Na maioria das vezes faz sentido depois que você escuta a explicação. E é justamente esse o problema: “depois que você escuta a explicação”.

Na Vertá nós não defendemos o resultado de um projeto. Isso mesmo: não defendemos a arte. Antes de qualquer criação, nós desenvolvemos uma estratégia do caminho que iremos seguir e porquê. O cliente pensa junto e aprova a linha de pensamento. Quando finalmente apresentamos o resultado, o próprio empreendedor consegue julgar a criação, sem precisar apelar para o seu gosto. Ele compreende o contexto da marca e toma uma decisão consciente.

Obviamente sempre existirá discordâncias sobre alguns pontos e é exatamente por isso que o designer está lá (explicar o que não ficou claro). Porém, o objetivo principal desse processo é não deixar a mensagem ficar somente na cabeça do autor. Quando uma criação vai para o mercado, é diferente de quando ela vai à um museu de arte: ela deve ser compreendida pelo público pretendido, com o menor ruído possível.

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